Essa frase ficou na minha cabeça desde a última vez que fui visitar minha tia avó. Ela disse isso ao saber que sua última irmã que estava viva faleceu. Ela chorou de luto e de raiva pois o falecimento ocorreu duas semanas antes e ninguém quis contar a ela por estar numa cadeira de rodas.
Injusto. Era a última irmã dela, ela tinha o direito de saber mesmo não podendo atender ao funeral. Ela está com mais de 80 anos mas lúcida, enxerga e escuta muito bem.
Pra quem não sabe, minha avó materna era de família portuguesa, os Teixeira. Não restou ninguém desta casa pois os filhos e netos foram assumindo outros nomes, e minha tia avó não teve filhos. Isso me trouxe de volta uma série de reflexões no âmbito familiar.
Duas pessoas me disseram que sou um cara de família, mas não estou muito certo disso. Eu já me importei mais com valores assim, hoje já não os repenso muito, apenas faço o que acho certo - mas sei que não faço tudo que deveria. Ter a família desmantelada desde minha pré-adolescência causou muitos reflexos, um deles, certo pessimismo para o futuro.
Meus amigos da minha idade e geração já estão casados (ou encaminhados para isto) e alguns tem filhos, mas eu "andei pra trás" e hoje me vejo às voltas com pessoas em média 10 anos mais novas que eu, ainda na vibe de ter acabado de sair do colegial e iniciar sua carreira. Não estou reclamando deles pois gosto muito de cada um, mas é inevitável me sentir "o tio" por mais que eu ainda consiga falar suas línguagens.
Não quero reclamar demais pois ainda estou em situação privilegiada haja vista quanta merda há no mundo, mas nem por isso vou me obrigar a ficar super contente. Eu queria que fosse diferente.

















