22.5.12

Pra Acabar Com A Raça Dos Teixeira

Essa frase ficou na minha cabeça desde a última vez que fui visitar minha tia avó. Ela disse isso ao saber que sua última irmã que estava viva faleceu. Ela chorou de luto e de raiva pois o falecimento ocorreu duas semanas antes e ninguém quis contar a ela por estar numa cadeira de rodas.
Injusto. Era a última irmã dela, ela tinha o direito de saber mesmo não podendo atender ao funeral. Ela está com mais de 80 anos mas lúcida, enxerga e escuta muito bem.
Pra quem não sabe, minha avó materna era de família portuguesa, os Teixeira. Não restou ninguém desta casa pois os filhos e netos foram assumindo outros nomes, e minha tia avó não teve filhos. Isso me trouxe de volta uma série de reflexões no âmbito familiar.
Duas pessoas me disseram que sou um cara de família, mas não estou muito certo disso. Eu já me importei mais com valores assim, hoje já não os repenso muito, apenas faço o que acho certo - mas sei que não faço tudo que deveria. Ter a família desmantelada desde minha pré-adolescência causou muitos reflexos, um deles, certo pessimismo para o futuro.
Meus amigos da minha idade e geração já estão casados (ou encaminhados para isto) e alguns tem filhos, mas eu "andei pra trás" e hoje me vejo às voltas com pessoas em média 10 anos mais novas que eu, ainda na vibe de ter acabado de sair do colegial e iniciar sua carreira. Não estou reclamando deles pois gosto muito de cada um, mas é inevitável me sentir "o tio" por mais que eu ainda consiga falar suas línguagens.
Não quero reclamar demais pois ainda estou em situação privilegiada haja vista quanta merda há no mundo, mas nem por isso vou me obrigar a ficar super contente. Eu queria que fosse diferente.

27.4.12

Crianças Invisíveis

Quarta feira fui ao teatro assistir à peça de minha amiga Hellen Bravo e foi muito bom. Mas antes de começar, estava eu lá no auditório preparando o tripé e a camcorder para filmar quando percebo alguém passando entre as poltronas. Olhei pra ver quem era e... Não tinha ninguém. Eu estava sozinho no lugar.
Depois contei pra Hellen e ela falou que todo mundo estava dizendo que o ambiente estava carregado e coisas do gênero. Então estava bastante, pois eu não sou de ver vultos nem assombração.
Não fico grilado com essas coisas, tanto é que saindo de lá fui tomar um lanche com uma amiga e nem lembrei de contar o fato (ainda mais considerando que ela é tão gatinha que faz esquecer qualquer fantasma).
Quando contei aqui em casa, minha prima (que é mais velha do que eu, me pegou no colo e tal) contou que quando eu era criança eu tinha "amiguinhos" com quem eu conversava à noite. Isso só parou quando me levaram a uma médium e ela deu uma bronca nas "crianças invisíveis". O que ela explicou é que aqueles eram meus amiguinhos antes de eu encarnar.
Não vou entrar no mérito da questão espírita, mas eu não tenho sensibilidade pra essas coisas, embora minha prima quisesse dizer com essa história que eu tenho. Eu tinha uns 5 anos de idade, não lembro de nada disso, só lembro de andar sonâmbulo pela casa. E quem me conhece melhor sabe que minha experiência mais marcante com fantasma foi aquele que gemeu no meu ouvido e nada mais.
Mas dessa história, fantástica ou não, ficou uma questão na mente: será que esses meus amiguinhos do além já encarnaram também e eu os conheço? Hahahaha! É, no mínimo, um bom roteiro para um filme.

15.4.12

Detalhes

Eu presto atenção a detalhes, talvez até demais.
Não que eu seja perfeccionista, ou minucioso; não sou. Mas eu presto atenção no que diz a estampa de uma camiseta, nas formiguinhas fazendo fila no canto do quarto, na caligrafia de um amigo, no tom mais agressivo na tintura do cabelo da minha prima e na má resolução no avatar de alguém.
Acho que nada disso pode mudar a minha cosmovisão da vida, mas reparar em certas coisas deleitam os olhos pelo menos, e por alguns instantes tornam a rotina menos sonsa.
Na Páscoa, um casal (era um casal?) de periquitos (ou eram ararinhas?) pousou no telhado do vizinho e ficou cracracrando (sei lá o nome do som que eles fazem). Foi bonitinho, eu parei pra olhar e tirei uma foto.

Esses dias estreou a continuação da minha série animada preferida, The Last Airbender: The Legend of Korra. Fiquei tirando Print Screens de vários trechos pra usar de papel de parede e reparar na belíssima arte aplicada ao cenário, coisa que para a maioria das pessoas passa despercebido.

Tenho lido bastante material de um RPG em que ingressei semana retrasada, Fading Suns, e o que reparei muito são as nomenclaturas usadas na história. Os autores devem conhecer muito de teologia, eclesiologia e afins pois aplicam com muita coerência termos e nomes próprios dentro de seu Universo.

Não pretendo dizer com isso que sou melhor, ou tão diferente assim das outras pessoas. Não sou. Apenas entendo isso como uma qualidade e espero que ela venha a me favorecer em meus projetos de vida.

9.4.12

O Jogo


Perdi o jogo e você também HAHAHAHA!!! (piada interna) =P
Ontem me perguntaram "tem jogado?" e só então me liguei que joguei 5 dias seguidos! Quarta Feira amigos vieram aqui e depois de uma macarronada jogamos Munchkins. Na Quinta teve RPG na Ixa e na Sexta, no Holzmann. Sábado, de última hora o Utak chamou uma galera e dá-lhe jogo até às 4h da manhã. Pra acabar, no domingo fui ao Poro assistir Game of Thrones e antes disso teve uma rodada de Cyclades.


Por que eu gosto tanto de jogar? A gente conversa sobre coisas diversas durante uma partida, lembra de histórias, faz piadas, se conhece melhor - lembrando que nesses encontros quase sempre a gente joga com pessoas novas e vai ampliando o rol de amizades. Claro que isso pode acontecer num barzinho, por exemplo, ou reunindo o povo pra comer lasanha, mas jogar jogos de tabuleiro e RPG é infinitamente mais divertido. E se você não quer jogar, pode ficar ali mexendo no seu laptop ou lendo alguma coisa, desenhando, batendo papo, o importante é socializar.


Há jogos que exigem colaboração de todos para desvendar mistérios e combater monstros e maldições, há jogos de expansão e domínio em que você deve guerrear contra os outros e para isso pode fazer alianças, há jogos em que é necessário fazer trocas e negociações com os vizinhos para obter recursos e construir cidades, há jogos que dependem muito mais da criatividade do que de cálculos e estratégias, mas em todos eles a sorte é sempre um fator decisivo, o que torna cada partida única.
Ah sim, e a arte de alguns desses jogos é muito bacana!




Ontem conversamos um pouco sobre a idéia de fazer o nosso próprio jogo pois idéias não faltam. Faríamos algo que possivelmente nunca seria comercializado. Eu já fiz um jogo com um amigo lá pra 2001 e ficou muito legal! Mas enquanto a idéia não deslancha, nos divertimos com o que já existe.

15.3.12

Ninguém Morre de Amor

ENQUANTO ISSO NA MINHA VIDA AMOROSA...


Sábado passado li este post da Ana Maria e divaguei sobre o assunto, pensando: "faz tempo que não falo nada no meu blog". Acontece que não acontece nada. Nada mesmo.
ACHO que cheguei numa maturidade (ou estado de espírito, ou whatever) que eu precisava. Desde que voltei ao Brasil fui gradativamente aquietando meu coração até que agora eu não sinto mais a necessidade de fazer acontecer, correr atrás, stalkear.
Tenho conhecido várias garotas bonitas, algumas delas muito interessantes e até já teve quem quisesse ficar comigo, mas eu não quis. Não me fechei às possibilidades, mas talvez eu tenha encontrando meu ponto de equilíbrio emocional. Nem tanto a Mordor, nem tanto a The Shire... Se eu tiver uma chance de sair com uma garota legal claro que não vou amarelar, mas se o ForeverAlonismo continuar, eu não vou mais ficar deprimido. Posso jogar o Xadrez dos Solitários!



Nunca fui de caçar, chegar chegando pra ver se "pego a mina", pois tenho esse defeito de pensar sempre em relacionamento sério. Hoje então, não espero nada de ninguém. Não me apego a ninguém, estou desencanado de todas as minhas relações.
Antes essa postura que vi em outras pessoas me parecia negativa, como ter blindado o peito em penitência por ter sido burro e se entregado a um sentimento tolo, como se não acreditasse mais na humanidade e quisesse que todos os dias fossem segundas-feiras. Eu entendo que é normal ficar arredio temporariamente depois de uma decepção (ou várias), mas a gente NUNCA pode deixar de acreditar que pode ser feliz com outra pessoa. Precisamos nos previnir de quebrar a cara outra vez, claro, mas sem exageros e siricuticos. A primeira precaução é apenas não se envolver depressa demais.
Não tenho medo de me ferir ao me aproximar muito de alguém, seja numa relação de amizade ou amorosa, pois ninguém é perfeito! Todos nós pisamos no tomate. Ou na cebola. Na siriguela. Ah, você entendeu. É besteira vestir armadura sobre armadura, a qualquer instante você VAI se machucar! (Me lembrei deste meu post agora)



Estou sossegado, de pazes feitas com minha solteirice e solidão (que já não é a mesma de quando eu estava no exílio). Leio e assisto, navego e jogo, durmo e saio sem ter aquela impressão tenaz de que falta alguém ao meu lado pra compartilhar o que estou fazendo. Talvez eu esteja começando a gostar um pouco mais da minha própria companhia, e talvez assim alguém venha a gostar de mim também!

6.3.12

Cavaleiro Matador de Dragões


Tenho quase certeza de que já contei aqui essa história então vou recontar de outro jeito.
Quando eu era apenas uma pequena topeira sardenta no prezinho (como sempre diz minha amiga Hellen) eu queria ser lixeiro porque os coletores de lixo da minha rua eram alegres, cantavam e transmitiam uma emoção imensa ao fazerem seu serviço. Elementar: eles deviam cheirar muita coisa alucinante naquele lixo todo.
Me convenceram a mudar de idéia e eu queria ser bombeiro - até o dia que eu me queimei pela primeira vez. Never mind.
Daí descobri a profissão de CAVALEIRO MATADOR DE DRAGÕES, carreira que me fascinou! Cresci tendo mil idéias fantásticas de como matar um dragão.
Eu cresci tendo idéias mas não persegui meu sonho. No tempo ideal eu, de repente, quis ser outra coisa. Eu quis ajudar pessoas, quis ser clérico, não cavaleiro, mas acabou não dando certo e eu fiquei desnorteado, me contentei com paleativos ou quase nada.
Eu não persegui meu sonho, mas não o abandonei. Aqui estou eu encarando tooooda a bagagem que acumulei nestes trinta anos e dizendo a mim mesmo: não é tarde.
Comecei a recolher material de estudo pois vou prestar o primeiro vestibular da minha vida. Eu sei bem quem sou, sei bem o que quero, é mais do que hora de me levar mais a sério e acreditar mais em mim mesmo. São 35 vagas, uma média de 42 candidatos para cada, nota de corte mais alta que Jornalismo. Matar dragões é um privilégio de poucos, e para ser um deles eu preciso por à prova essa minha vocação.


Ser cavaleiro é ser cineasta. Matar dragões é fazer filmes.

19.2.12

Teatro na Barra II

Já estou com saudades de Barra Bonita.
Saudade da cordialidade e do sorriso dos técnicos de segurança que nos acompanharam o tempo inteiro, da receptividade dos funcionários da Usina, nosso público, saudade do meu cantinho no quarto de hotel, do papo para descontrair na coxia antes e depois de cada apresentação, da comida gostosa do refeitório, de encontrar meus companheiros de trabalho bem cedinho, antes do sol nascer, da geladeira cheia de chocolates, das diversas reações do público a cada piada, daquela paisagem linda do interior, do céu azulzinho, do Tietê limpinho, enfim... Foi uma semana intensa, daquelas para nunca mais esquecer.






13.2.12

Teatro na Barra I

Este post não tem imagens, comece a chorar.
Estou em Barra Bonita, cidade próxima a Bauru, com uma companhia de teatro apresentando uma peça sobre segurança e relacionamentos no trabalho. Temos 18 apresentações agendadas de segunda a sexta numa tenda armada ao ar livre dentro da usina de açúcar. Chegamos no domingo à tarde sem ter feito nenhum ensaio completo por problemas de agenda dos componentes do grupo (piriris à parte). Eu virei a noite batendo texto no banheiro (eu disse batendo TEXTO) para amenizar o estrago na estréia. Lembrei de quando eu estudava na noite anterior para as provas de química no colegial.
A estréia foi tipo nosso primeiro ensaio com microfones e figurino completo. Preciso dizer que muita coisa deu zebra? Meu microfone não funcionou, a calça que me deram do uniforme da empresa não fechava (GORDOOOOOOO), todo mundo se atrapalhou fazendo as trocas de figurino (que são feitas em cena enquanto a peça rola) e, obviamente, erramos metade do texto. Nada que impedisse o público de se divertir e a mensagem principal ser transmitida, mas bateu uma frustração violenta concluir que as técnicas milenares de decoreba de texto que meus ancestrais preservaram desde os dias de Téspis e sua máscara na Grécia Antiga foram em vão. Acho que vou por a culpa em você.
Daqui a 1 hora sairemos para a quarta apresentação do dia, depois é voltar para o hotel e guardar energias para fazer tudo de novo amanhã. Aqui tem piscina mas preferi a cama pois de sábado de manhã até hoje eu tinha dormido apenas 4 horas no total. Essa façanha só consegui graças à minha ultrassensibilidade à cafeína: 1 xícara de café me segura acordado a noite toda. Porém agora minha sensação é de ter levado uma surra. De gato morto. E ele miou. Em esloveno. E Si bemol. 5 vezes.
Almoçamos no refeitório da usina em meio ao nosso público e são todos muito legais com a gente. Peguei uma laranja pra chupar depois e lembrei do meu pai que sempre fazia isso no almoço. Também foi engraçado ver o torcer de pescoços dos homens para ver passando a Vanessa, minha companheira de cena. Ela nunca foi tão "secada" por metro quadrado na vida, mas ninguém mexe.
Amanhã tem mais, volte, querido freguês.

9.2.12

Quando Me Importo Demais...

Bem vindo à minha casa.
Entre, aconchegue-se, não se iniba.
Pode tirar os sapatos se quiser, e dê-me seu casaco, vou pendurá-lo.
Tome um café ou um suco de fruta. Aqui há alguns biscoitos, coma.
Me fale de você. Onde mora? O que faz? Do que gosta?
É bonito onde você foi? Tem fotos para mostrar?
Como se chamam seus pais? Você tem muitos amigos?
Você está feliz?

...
Aqui está um presente! De nada!
Recebeu minha mensagem? É que você não respondeu...
Por que não me chamou? Eu fiquei em casa, podia ter ido.
Oi? Lembra de mim? Ainda não morri.

...
Eu vou embora. Preciso cuidar da louça.
Ou alimentar os gatos. Ou assistir televisão.
Vou fazer qualquer coisa que não interessa.
Não vou voltar. Você não perguntou, mas estou dizendo mesmo assim.
Acho que nunca fomos amigos. Pra que fingir agora?
Foda-se. Você é problema seu.
      
(Foi bom você me lembrar de que não devo tentar agradar a todos e é normal não gostar de alguma coisa pois ninguém é perfeito. Vou me esforçar em não me esforçar para ser legal além do que sou)

2.2.12

Dados Vermelhos da (re-)Socialização


Eu já estava achando que meu sábado à noite estaria fadado à prática do #ForeverAlonismo involuntário quando Dom Pellegrina atendeu o meu clamor e me deu uma carona até a Sociedade do Dado Vermelho - um ajuntamento voluntário de muita gente legal para partidas de jogos de tabuleiro, e isso se estendeu até de manhã (pelo menos para mim e os outros 6 que fecharam a festa).
Muita gente divertida e bonita (como definiu uma das presentes). Nervos à flor da pele quando eu perdi a fortaleza de Hightower (capital de Tyrell) para os exércitos de Greyjoy, a vitória chamuscou minhas mãos numa partida de Ticket to Ride, ganhei experiência em Dominion e abandonei 7 Wonders antes da II Era pois minha cabeça já não estava processando tanta informação.




É, não foi uma noite de vitórias no jogo. Mas eu fui mesmo por causa das pessoas; não importava o que íamos fazer.
Acho que ainda não estou sabendo me comportar ao redor de pessoas, mas estou me esforçando. É como se eu precisasse regular meu "sociômetro" para essa nova realidade que ainda não está completamente instaurada. Sei que ando fazendo perguntas DEMAIS a todos, como se eu fosse um investigador ou repórter, e tenho medo de ser mal interpretado. Tem gente que pode sentir a privacidade invadida, ou ficar pensando "o que esse cara quer, afinal?". Sei que nem todo mundo capta meu senso de humor na hora e quase ninguém está preocupado com reciprocidade. É realmente MUITO difícil encontrar acolhida quandos os vínculos são muito pequenos e superficiais.
Eu estou fazendo o que está ao meu alcance. Ontem, pela primeira vez, tive um momento epifânico em meio a essa nova turma quando por alguns instantes não me senti um forasteiro, mas ainda estou com essa idéia impregnada na mente.
Hoje tem outra sessão de jogatina (a sociedade faz um ano!) e na sexta começo numa mesa de RPG. TUDO pela socialização! Estou empolgado construindo meu personagem, agora é ver se os dados (e os outros dadistas) se empolgam também...